10/11/2016 - Defensora pública Associada participa de mesa de discussão sobre cultura do estupro em São Luís

A defensora pública Associada Dra. Lindevania de Jesus Martins Silva, titular do Núcleo de Defesa da Mulher e População LGBT, da Defensoria Pública estadual (DPE/MA), participou da mesa redonda “Cultura do Estupro: Vamos Romper o Silêncio”, promovida pelo Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Relações de Gênero Étnicos, Raciais, Mulheres e Feminismo (Geramus), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e pelo Fórum Maranhense de Mulheres. O objetivo dos debates foi discutir casos de estupros ocorridos em São Luís, especialmente dentro do ambiente universitário, e pensar medidas educacionais e políticas públicas para romper com essa cultura.

Durante o evento, realizado esta semana para um amplo público na Universidade Federal do Maranhão, a defensora pública fez breve apresentação dos serviços prestados pela DPE/MA e pelo Núcleo de Defesa da Mulher e População LGBT, destacando a importância da denúncia para acabar com a chamada ‘cultura do estupro’. Ela ainda pontuou que esta cultura engloba vários comportamentos que não se resumem ao estupro propriamente dito, mas também ao assédio sexual, piadas grosseiras, dentre outras situações que causam constrangimento e intimidação às mulheres e são aceitas normalmente pela sociedade.

"Dentro desse contexto, são vários os relatos de violações sexuais, das mais diferentes ordens, relacionadas ao sentimento de que o corpo da mulher pertence ao homem, num claro exemplo de como é perversa essa estrutura de opressão que se convencionou chamar de ‘cultura do estupro’, pois os homens se orgulham de tais condutas, enquanto as mulheres se sentem humilhadas e envergonhadas, relutando em expor os casos e procurar proteção para si e punição para o agressor. Por isso que é tão importante quando uma mulher rompe o ciclo de silêncio e expõe a violação: ela está permitindo que outras mulheres sigam seu exemplo e não se calem, ajudando a criar uma cultura contrária à cultura preexistente, uma cultura de respeito à mulher e sua dignidade de ser humano", ressaltou Lindevania, informando, também, que as demandas que mais chegam ao núcleo são as violações de gênero que ocorrem dentro do ambiente familiar e doméstico, entre as quais são comuns os relatos de abusos de natureza sexual.

Além da representante da Defensoria Pública, ainda participaram da mesa de diálogos a professora doutora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Renata Gonçalves; a militante do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andreza e Presidente do Conselho Estadual da Mulher, Lucia Gato; e a coordenadora da mesa, a professora doutora do departamento de biblioteconomia da UFMA, Maria Mary Ferreira, integrante do Fórum Maranhense de Mulheres. 

 Fonte: Ascom DPE/MA